A recarga de veículos elétricos em condomínios deixou de ser tendência e se tornou demanda real. Quando o pedido chega, seja por moradores, conselho ou administradora, a pressão costuma ser a mesma: “precisamos instalar logo”.
O problema é que uma única medição raramente é suficiente para garantir segurança, viabilidade técnica e clareza de responsabilidades. O comportamento de carga de um condomínio é complexo, com consumo coletivo, consumo privativo e variações ao longo do dia.
Por isso, a instalação de dois analisadores de energia se torna um dos passos mais inteligentes antes de decidir onde e como conectar carregadores de veículos elétricos.
Por que uma única medição pode falhar?
Quando se mede apenas um ponto da instalação, é possível até enxergar a demanda de forma macro, mas perde-se a separação crítica entre consumo das áreas comuns, consumo das unidades privativas, impacto de eventos simultâneos como elevadores, bombas e horários de pico, e limitações reais da infraestrutura como padrão de entrada, prumadas e distribuição.
Na prática, isso gera dúvidas que travam o projeto e criam conflitos. O carregador deve ser ligado no apartamento ou nas áreas comuns? A infraestrutura suporta o aumento de carga ou vai operar no limite em horário de pico? Existem problemas de qualidade de energia, como desequilíbrio ou quedas de tensão, que vão aparecer com a recarga?
Sem dados confiáveis, a decisão vira suposição, e suposição vira risco técnico e jurídico.
Duas medições, dois objetivos claros
A lógica de instalar dois analisadores é simples. Cada um mede um lado do condomínio e, juntos, entregam o diagnóstico completo.
Não é medir mais por medir. É medir para separar causas, comprovar impactos e decidir com segurança.
Analisador 1: cargas de uso comum
O primeiro analisador deve ser instalado nas cargas de uso comum, para medir o consumo real de elevadores, iluminação, bombas, e demais equipamentos de uso comum.
Esse ponto mostra o impacto direto das áreas comuns na demanda do condomínio.
Isso é fundamental porque as áreas comuns estabelecem um nível mínimo de consumo que já compromete parte da capacidade disponível da instalação. Em determinados períodos, esse consumo base se intensifica e se transforma em pico de demanda. Sem medição adequada, esse impacto é facilmente subestimado.
Analisador 2: padrão de entrada e prumadas
O segundo analisador deve ficar no padrão de entrada de energia, onde é possível entender o comportamento elétrico do condomínio como um todo.
Com essa medição, é possível avaliar a demanda total do condomínio, verificar o carregamento do padrão de entrada e analisar o carregamento das prumadas a partir da comparação entre as duas medições.
Em outras palavras, você descobre se existe folga real na infraestrutura ou se o sistema já opera próximo do limite antes mesmo da recarga.
O ponto-chave: análise integrada dos dados
O maior valor de usar dois analisadores não está em dois relatórios separados, mas na comparação entre eles.
Com a análise integrada, torna-se possível identificar picos simultâneos de carga, avaliar riscos reais de sobrecarga e determinar se, onde e em quais condições a infraestrutura suporta novos carregadores.
O resultado são decisões técnicas baseadas em dados, não em achismos.
Isso reduz retrabalho, facilita a aprovação em assembleias e aumenta a previsibilidade do projeto.
Onde instalar a recarga de veículos elétricos?
Após a análise completa, a discussão deixa de ser “pode ou não pode” e passa a ser onde faz mais sentido tecnicamente.
A recarga pode ser viabilizada no circuito do condomínio ou nos circuitos dos apartamentos, com atenção especial para os casos em que os medidores estão localizados na garagem, onde a rastreabilidade e a definição de responsabilidades precisam ser objetivas.
Esse tipo de diagnóstico evita conflitos improdutivos e eleva o nível da tomada de decisão.
Quer viabilizar a recarga de veículos elétricos em condomínios com segurança, clareza e embasamento técnico?
A análise com dois analisadores mostra exatamente onde instalar, quais limites respeitar e qual solução é tecnicamente mais segura.
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